A procura pela sobrevivência empresarial, em tempos de Covid-19, fez-nos ter a certeza da necessidade de criarmos empresas com uma cultura de inovação através da experimentação constante. Quanto mais rápido nos adaptarmos às mudanças de mercado, mais competitivos seremos, e é precisamente isto que a cultura ágil nos ensina.
Texto: Andre Bocater Szeneszi/ Adriano Bandini
.
A população mundial avança no meio de múltiplos debates sobre os direitos humanos e os impactos dos negócios na sociedade, fazendo com que o número de pessoas conscientes e críticas junto ao relacionamento com as marcas e os produtos das empresas seja cada vez maior.
A junção da procura de eficiência e clientes críticos, ávidos por novidades, faz com que a inovação tenha que se manter em aceleração, mas principalmente que os seus novos produtos consigam refletir as necessidades de um público diverso, composto por pessoas com diferentes singularidades que as tornam únicas.
O valor «respeito» deve ser entendido por todos os clientes, desde o atendimento até ao produto lançado. As pessoas mais qualificadas do mundo e muito desejadas pelas empresas escolhem onde trabalhar e incluem entre os critérios de escolha a representatividade humana do grupo ao qual pertencem.
Mulheres executivas procuram empresas que não imponham barreiras ao seu crescimento. Culturas corporativas que manifestam comportamentos, palavras e elementos machistas e de assédio, por exemplo, perdem 50% da capacidade de serem competitivas, pelo simples fato de serem hostis às mulheres.
A neurociência apresentou nas últimas décadas diversas pesquisas sobre o tema vieses inconscientes à população, de tal forma que fica cada vez mais claro como é processada a tomada de decisão de uma pessoa. Conhecer os mecanismos cerebrais que operam a emoção e a razão, também chamados de sistema 1 e sistema 2, abre um novo mundo de possibilidades.
Saber como o nosso cérebro processa automaticamente as nossas escolhas, muitas delas preconceituosas, amplia a nossa responsabilidade para aprendermos a geri-las. A responsabilidade afeta a forma como nos relacionamos e respeitamos, especialmente quando se trata do mundo corporativo e como os comportamentos dos nossos funcionários se impactam mutuamente, principalmente com os clientes.
A neurociência aplicada aos métodos de trabalho está a revolucionar a inovação, a criação de novos produtos, mas também as relações humanas. É aqui que entra a agilidade, o seu mindset e as provocações que transformam o ambiente de trabalho, antes pesado e lento, devido às suas hierarquias, para ambientes mais leves, cooperativos, equitativos, plurais e ágeis.
As cerimónias presentes na metodologia ágil aproximam as pessoas, estimulam a colaboração, a partilha de ideias e também a experimentação que aproxima as equipas, em ciclos mais rápidos e curtos do que qualquer outro já vivido.
O resultado das experiências ágeis e a cultura de business agility, além de entregar novas soluções e produtos, criam nas relações novos papéis para o exercício da liderança, que não dependem mais de uma posição hierárquica.
A reorganização de forma vertical e com menos lideranças formais, exigem dos líderes atuais mais empatia e domínio da parte dos seus vieses inconscientes para orquestrar a equipa rumo a um propósito comum. Equipa essa formada por pessoas cada vez mais plurais. A melhoria contínua, por sua vez, gera reconhecimento e satisfação aos participantes de um projeto em ciclos curtos, ampliando a autoestima, estimulando o compromisso mútuo e promovendo a saúde mental.
A tríade diversidade/ neurociência/ agilidade potencializa resultados em todas as esferas e exige liderança aberta, e porque não também uma liderança plural, aos novos paradigmas das relações humanas, profundamente ancoradas no respeito.
Considera-se um destes líderes? Em que fase desta grande transformação está?
.
»»»» Andre Bocater Szeneszi é associated partner da K21; Adriano Bandini é psicólogo, especialista em diversidade e neurociência.