As ferramentas de inteligência artificial (IA) estão disponíveis para qualquer pessoa. E esta acessibilidade exige que desenvolvamos novas competências, tanto técnicas como comportamentais.
Texto: Sara Sousa Brito Imagem: Freepik
Terminado 2024, este é o momento ideal para refletirmos sobre um ano de verdadeira transformação. Pela primeira vez, sentimos estar num ponto de viragem significativo, impulsionado pela disrupção trazida pela inteligência artificial (IA). O impacto da IA na forma como trabalhamos é tão profundo que o que antes parecia distante e inatingível está agora ao alcance de todos – e de uma forma surpreendentemente rápida.
As grandes tecnológicas, com o ChatGPT e outras plataformas de IA generativa, têm acelerado os seus lançamentos a um ritmo avassalador. O que antes eram lançamentos anuais, tornaram-se mensais e, mais recentemente, semanais. Cada nova funcionalidade e upgrade desafia-nos a evoluir e a adaptar-nos em tempo real.
Outro dos aspetos mais marcantes desta revolução é a democratização da IA. Hoje, as ferramentas estão disponíveis para qualquer pessoa. Esta acessibilidade exige que desenvolvamos novas competências, tanto técnicas como comportamentais. Por um lado, há a necessidade de adquirir literacia digital e aprender a integrar novas tecnologias no nosso trabalho. Por outro, enfrentamos o desafio de cultivar soft skills críticas como agilidade, pensamento sistémico e a capacidade de nos adaptarmos rapidamente.
Entre estas competências emergentes, uma ganha especial destaque: comunicar eficazmente com a IA. Através da criação de prompts bem desenhadas, conseguimos obter os resultados esperados. Este processo não só exige clareza no pensamento, mas também a capacidade de decompor problemas complexos em pequenos passos. Assim, o utilizador acompanha o «raciocínio da máquina», garantindo e validando o resultado.
Este impacto da IA é transversal, afetando desde a visão estratégica das organizações até ao dia-a-dia dos colaboradores. Refletir sobre o papel da IA no sector, na empresa, no departamento e, finalmente, na função de cada um de nós, é essencial para navegar neste período de transição.
Do ponto de vista individual, este é um momento de autoconsciência: onde estamos nesta jornada de transformação? E onde queremos estar? A democratização da tecnologia torna essa reflexão ainda mais importante. Ferramentas como o ChatGPT ou o Gemini permitem que qualquer pessoa crie o seu próprio assistente personalizado, adaptado às suas necessidades específicas, permitindo a personalização de assistentes de IA para tarefas específicas, sem depender de equipas técnicas especializadas.
Talvez um dos aspetos mais relevantes desta nova era seja a descentralização do «poder» da IA. A possibilidade de cada utilizador criar e gerir os seus próprios assistentes marca uma mudança de paradigma que as organizações ainda estão a tentar absorver. No entanto, mesmo sem a criação de assistentes personalizados, a simples utilização de IA generativa, como o Copilot, o ChatGPT ou o Gemini, já representa um passo significativo para a performance dos colaboradores. Estudos mostram que estas ferramentas podem reduzir em até 30% o tempo necessário para realizar tarefas, enquanto aumentam a qualidade dos resultados. A combinação da criatividade humana com a eficiência da IA resulta numa melhor versão do nosso trabalho.
O futuro pertence àqueles que conseguem alinhar tecnologia e humanidade. A IA não substituirá as pessoas, mas aumentará o seu potencial, permitindo que sejamos mais criativos, estratégicos e produtivos. Are you ready?

Sara Sousa Brito, Partner da People Value
People Value
A People Value tem uma equipa com mais de 20 anos de experiência no mundo dos recursos humanos e das organizações. Na consultora acredita-se que o desenvolvimento das pessoas e das organizações é o resultado do envolvimento, paixão e inovação. A cada dia investe na criação de soluções de aprendizagem e desenvolvimento, na busca de garantir satisfação para os clientes. Define a sua missão da seguinte forma: «Construir as condições para que as pessoas se sintam motivadas e inspiradas no trabalho e, assim, alavancar o sucesso das organizações.