Moldar o futuro

Liderança invisível no amanhecer da IA

Texto: Artur Ferraz Imagem: Freepik/ rawpixel.com

Este é realmente um tempo de introspeção e balanços, em que avaliamos o que construímos ao longo do ano anterior e pensamos no que queremos moldar no atual. Nas organizações é também um período de planeamento estratégico, em que se equaciona como as pessoas e as equipas podem responder a um mundo em rápida transformação. Entre essas reflexões, surge o papel das chefias intermédias, tantas vezes invisíveis, mas cruciais para o sucesso.

Estas lideranças são o elo que sustenta o dia-a-dia das operações, garantindo que a estratégia da organização se traduz em ações concretas. Mas em muitas empresas elas operam sob intensa pressão, constantemente desafiadas a equilibrar metas imediatas com o desenvolvimento das equipas. Num contexto em que a inteligência artificial (IA) está a transformar radicalmente a forma como aprendemos e trabalhamos, esta pressão só aumenta.

De facto, a IA vai abrindo novos horizontes na aprendizagem organizacional. Modelos avançados de machine learning, sistemas adaptativos e chatbots educacionais permitem personalizar a formação, tornando-a mais eficaz e acessível. A promessa é disruptiva: criar sistemas de aprendizagem que evoluam com as necessidades de cada colaborador, ajudando-os a adquirir competências num ritmo acelerado.

Contudo, esta revolução exige algo fundamental das organizações – repensar os sistemas de aprendizagem. A abordagem tradicional, que muitas vezes depende de programas estáticos e generalistas, já não responde aos desafios. Os líderes intermédios, motor da implementação destas transformações, precisam de se adaptar e preparar para integrar a IA como ferramenta de desenvolvimento contínuo.

Aqui reside um paradoxo: enquanto investimos em ferramentas de alta tecnologia, como IA generativa ou plataformas de e-learning, negligenciamos o desenvolvimento humano que sustenta essas ferramentas. Afinal, a IA, por mais avançada que seja, ainda depende da inteligência emocional, da criatividade e da liderança das pessoas para gerar impacto positivo.

Escuta ativa e humanização

Na transição digital permanece essencial um aspeto intangível: ouvir. A escuta ativa é o ponto de partida para qualquer tipo de desenvolvimento, seja no uso da IA ou na liderança tradicional. Num momento em que as empresas se apressam para atingir metas de curto prazo, ouvir as necessidades das equipas é o que distingue um líder eficiente de um líder transformador.

Como numa obra de arte, onde um ajuste milimétrico pode mudar tudo, também na liderança o detalhe faz a diferença. Para que os sistemas de aprendizagem sejam eficazes, devem ser concebidos não apenas para ensinar competências técnicas, mas também para fomentar habilidades humanas. Esta combinação permitirá às empresas enfrentar desafios com soluções inovadoras e sustentáveis.

As lideranças intermédias ocupam um lugar estratégico na transição. Promovem a adoção da IA e ajudam as equipas a integrar novas ferramentas. Mas precisam de tempo, formação e suporte. É essencial que as organizações invistam no seu desenvolvimento contínuo, garantindo que têm as competências necessárias para orientar as suas equipas na era da IA. Se ignorarmos isto, corremos o risco de criar equipas desmotivadas e incapazes de responder à complexidade do presente. Mas se moldarmos líderes capazes de unir tecnologia e humanização, estaremos a construir um futuro onde a IA e a inteligência humana se complementam.

Este é mesmo o tempo ideal para as organizações refletirem sobre como estão a moldar o futuro. Estamos a investir nas ferramentas certas e nas pessoas certas? A desenvolver sistemas de aprendizagem que capacitam as equipas para enfrentar a transformação digital? E, acima de tudo, a dar espaço às lideranças intermédias para se prepararem para um futuro que já chegou?

Tal como na vida, a liderança de sucesso é feita de ajustes contínuos, precisão e paciência. Que este seja também o tempo em que as empresas decidem liderar com visão, integrando o melhor da tecnologia e da humanidade para moldar um futuro mais sólido e sustentável.



Artur Ferraz
, Consultor Internacional para a Gestão de Pessoas, IBC


IBC

A IBC – International Business Consulting desenvolve soluções simples e criativas para melhorar a gestão de pessoas em qualquer parte do mundo. É uma empresa constituída por um grupo de consultores experientes e com percursos consolidados, a nível nacional e internacional. Possui escritórios em Leiria, Lisboa e Luanda e conta com uma equipa de profissionais detentores de um sólido know-how técnico em diversas áreas de atuação, nomeadamente, people and business management, sustentado em mais de 25 anos de experiência efetiva. A equipa integra experiência, igualmente, na área de desenvolvimento de soluções IT (tecnologias de informação) para a potenciação do capital humano.

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